… não pensava ou agia conscientemente… havia sempre dias de atordoar até o vento que passava como uma força motriz de desassossego e insatisfação eterna… não contente com seu próprio destino e desconexão consigo mesma estendia suas indignações a quem mais amava… havia assim na intimidade a porta aberta para a expressão de sentimentos guardados pela ínfima camada protetora do anonimato – quem desconhecido haveria de conhecer tais descontroles e desquilíbrios? como se tivesse uma outra personalidade passava como um furacão assustado arrastando e arrancando raizes, provocando chuvas e derrubando sonhos – um tufão de insatisfações e destruição… todo mês… todo mês… todo mês ela morre e leva à morte tudo de mais próximo e íntimo restando retalho-pedaço-naco-migalha-entulho para reconstruir…. porque não conseguia guarda para si e auto-destruir-se sem gerar incômodo ao universo se das suas cinzas se reestabelecia em breve… mais difícil é conviver com a dor da tempestade provocada no outro… toda vez… toda vez… toda vez que vai morrer leva o mundo ao descompasso – como se cada hora vadia do universo lhe roubasse o riso como um ritual trágico…
25, 2008