…ela disse hoje, naquele lugar apertado e de teto baixo: “…trabalhei 30 anos lá…” Havia no seu discurso a dignidade de um dever cumprido, um certo prazer inigualável… Ela continuou: “…foi meu primeiro emprego, onde assinei a carteira uma só vez e só estou me aposentando porque senão nunca paro de trabalhar!”… Seu emprego era o que lhe cabia no parco sonho que tinha. Porque haveria de querer mais do que podia? … Esperava com um olhar de desalento na fila para ser atendida… ouvia ao fundo o bater dos carimbos da burocracia… e no fundo de seu âmago refletia: “o que farei agora de minha vida?”…
14, 2007