…de tempos em tempos guardava um pouco de si mesma… sentia-se, mesmo com a tempestade se aproximando, pequena… pequena porque não cabiam em si tantos intensos sentimentos, nada que era seu era simples… tudo havia de ter aquela complexidade arrebatadora de filmes de drama de fazer chorar até que os olhos ficassem inchados… ela própria era um drama… uma película inteira de silenciosas e desconcertantes horas… queria muito falar de si – mas para alguém que soubesse ouvir… depois de fazer uma grande travessia revisitava os olhares amigos com quem fazia terapia – apenas pelas fotografias… todos estavam geograficamente distantes e, mesmo pelas palavras não se comunicavam… queria muito falar de si – ser ouvida – não por qualquer pessoa que se paga e se joga um saco pesado cheio de palavras… não queria um terapeuta – um médico… já sabia que ao menos não estava louca… queria mesmo era ser ouvida… talvez por isso guardava um pouco de si todos os dias…